Aprovado no concurso ANATEL: Victor de Almeida Bombarda
Concursos Públicos“[…] Se organizem. Entendam a prova que vocês vão fazer, entendam a banca. O que eu mais conheço de concurseiro são pessoas que, desesperadas para mudar de vida, saem estudando a esmo sem cronograma ou controle do que estão fazendo […]”
Confira nossa entrevista com Victor de Almeida Bombarda, aprovado em 4° lugar no concurso ANATEL para o cargo de Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Telecomunicações – Especialidade: Ciências de Dados:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Victor de Almeida Bombarda: Me chamo Victor de Almeida Bombarda, tenho 25 anos, sou carioca, formado em Ciência de Dados da FGV e atualmente Analista de Tecnologia no Serpro.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Victor: Nunca tinha me imaginado estudando para concurso! Conhecia alguns concurseiros e achava que nunca teria condições de passar em uma prova dessas. No meio da faculdade, quando já estava procurando estágios e empregos, fiquei desmotivado com os baixos salários no início da carreira. Senti que estudei taaanto na faculdade, conquistei o diploma com lágrimas e suor, não aceitava disputar vagas concorridíssimas com salários medíocres e progressão de carreiras lentas. Encontrei no concurso a oportunidade de pular esses degraus.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Victor: Trabalhava e estudava. Minha sorte é que meu emprego era home office, então não perdi tempo em conciliar as atividades. Eu acordava 5h30 da manhã, arrumava as coisas e fazia de tudo para 6h estar sentado estudando. Começar o dia estudando dava aquela sensação de conquista logo cedo. Aí ficava até 8h30/9h, quando eu tomava café e trabalhava.
Na hora do almoço eu ia à academia, na volta eu só tinha tempo de engolir a comida e voltar ao trabalho. Por volta das 16h30/17h acabavam as atividades (em dias normais) e dava para estudar de novo até umas 20h/21h.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Victor: O primeiro concurso foi justamente o do Serpro. Ainda estava na faculdade e fiz ele de teste. Estudei só coisas que vi na faculdade. Admito que o ponto forte da minha preparação foi a Revisão de Véspera do Estratégia kkkk. Prova Cebraspe, deixei 45 questões em branco. Com a prova prática de programação, fiquei entre 500 e 600, não lembro ao certo. Foi suficiente para ser convocado na 2ª leva :)
Por maior que seja a conquista da Anatel, não sei se aposentei minhas canetas. Existem carreiras que ainda me enchem os olhos. O futuro a Deus pertence.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Victor: Estudos só de segunda à sábado. Fim de semana era, no máximo, uma redação com correção (patrocinada pela minha namorada), revisões e questões até o meio-dia. Sábado, à tarde e noite, e domingo era vida normal sem estudos: saía, passeava e vivia normal. Acho que saber ajustar o estudo à vida normal é primordial para ficar são e evitar o burnout nessa caminhada.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Victor: Eu não saí falando por aí que estava estudando não. Amigos só foram descobrir minha empreitada concurseira quando saiu meu nome no Diário Oficial. Não queria gerar uma pressão quanto à aprovação.
Já a minha namorada e família fizeram parte dessa caminhada, não sei se eu teria conseguido sem o apoio deles. A pessoa que fica imersa na preparação para concurso fica muito chata: só fala de matéria, concurso e preparação. Sem o apoio deles, me ouvindo reclamar e fazer planos, com certeza a história teria sido diferente.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Victor: O concurso da Anatel saiu em janeiro de 2024, e eu só decidi que ia estudar mesmo em fevereiro. A prova foi adiada de maio para setembro, então minha preparação foi até setembro. 7 longos meses de luta.
Minha maior motivação era conquistar um emprego que me daria o que eu queria: morar com minha namorada, construir patrimônio e trabalhar em uma instituição de respeito. E no horizonte visível, só esse concurso ia me trazer isso. Me motivava muito também pensar que, quando eu não estava estudando, algum outro concurseiro estava fazendo questões, lendo PDFs e possivelmente saindo na minha frente.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Victor: Estudei principalmente por PDFs. Videoaulas entravam quando eu ia correr na esteira ou estava na academia disposto a ouvir algo. De resto, aplicativos de questão foram primordiais na revisão de reta final e preparação; não era só necessário saber fazer questões de concurso, era necessário saber fazer questões da Cebraspe.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Victor: Quando decidi que ia estudar para concurso, joguei “concursos públicos” no Google. Aí nesse meio, só se falava da fama do Estratégia em ter os melhores materiais e aprovar os 1ºs lugares. Não tinha dúvida de qual cursinho escolheria.
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Victor: O material do Estratégia peca pelo excesso. Era difícil me deparar com uma questão que eu nunca tinha ouvido falar. Isso era ótimo. O aplicativo de questões do Estratégia também é muito bom, dá para criar filtros inteligentes e só fazer questões que realmente importam.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Victor: Minha cabeça não funciona se eu tentar estudar várias matérias de uma vez só, então eu estudava uma matéria de início ao fim, fazia todas as questões no PDF e rabiscava um resumo do que estudei. Só depois disso eu começava a próxima matéria. Considerando minha rotina, fazia por volta de 2h/3h da manhã e mais umas 2h/3h depois do trabalho. Nem todos os dias são iguais, então ficava por volta de 4h e 6h líquidas.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Victor: Eu fazia minhas revisões direto no meu resumo. Nele eu botava os erros e pegadinhas das questões que eu fazia, e constantemente atualizava meu material. Li tanto aqueles resumos que os considero até íntimos rsrs.
Na reta final, eu peguei todas as provas que a Cebraspe tinha feito de cargos de Ciência de Dados nos últimos anos, e fiz elas simulando o dia da prova. Usava o resultado como termômetro do que estudar.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Victor: A resolução de questões é a cereja do bolo do estudo. De nada adianta estudar as matérias se não vou saber fazer nem acertar questões. Quanto mais fazia questões, melhor entendia o estilo da banca, as pegadinhas etc. Fiz por volta de umas 10 mil (total de PDFs, simulados e aplicativos de questão). Questões da Cebraspe são rápidas de fazer, não precisa ficar lendo várias afirmativas. Na reta final, fazia por volta de 100 a 200 questões diárias.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Victor: Sem dúvida, os Direitos. Como minha formação é em exatas, o conteúdo jurídico estava muito longe de minha zona de conforto. Comecei pelas vídeo aulas (um abraço para a professora Adriane Fauth e o professor Herbert Almeida!). Aí quando criei um pouco de maturidade, fui pros PDFs. Eu devo ter começado Administrativo umas 5 vezes, sempre desistia pois achava muito chato. Mas terminei minha preparação gostando da matéria (o Estratégia operou um milagre). Superei essa dificuldade no esforço: de tanto me forçar a estudar, uma hora entrou, não tinha mistério.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Victor: Na semana pré-prova, foram 3 séries de ir à praia, com 2 repetições de água de coco com corridas intercaladas com mergulhos rsrsrs.
Praticamente tirei a semana de folga. Não toquei no material de segunda até quinta pois precisava espairecer, respirar e esquecer a ansiedade. Chegando sexta-feira, a ansiedade foi o contrário: eu fiz uma revisão de todas as matérias em umas 12h quase ininterruptas pra correr atrás do prejuízo da semana. Na véspera, tive um evento e assisti a revisão de véspera no fone de ouvido.
Eu já tinha fechado a matéria inteira do edital, e sentia que era tanto tempo de preparação que não iam ser os 7 últimos dias que iam fazer a grande diferença no meu resultado. No dia da prova, acordei cedo e revisei mais uma vez rs. Deu pra chegar tranquilo na prova.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Victor: Para a prova, tinham duas discursivas: uma com temática do cargo (de 30 linhas) e outra geral (15 linhas). Minha preparação foi apenas fazendo a discursiva geral, fazia uma ou duas todos os sábados.
Acreditava que para fazer uma boa prova escrita, eu precisava fazer provas escritas. Então fiz isso: devo ter feito umas 20-25 redações em casa. Meu principal objetivo era treinar concordâncias, organizações de pensamento e exposição de informações que me dessem pontos na hora da prova. Minha namorada, além de advogada, também é bacharela em Letras. Não há dúvidas em dizer que ela foi minha grande mentora para fazer uma boa discursiva.
Meu conselho é: para se preparar para fazer prova escrita, ESCREVA!! Eu odiava redação desde o colégio, nunca fui bom escritor. Mas na repetição, acabei aprendendo o que ia me dar uma boa pontuação. Se ela é inevitável na sua prova, ela é inevitável na sua preparação.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Victor: Acho que meu maior erro foi ter feito resumo após o estudo da matéria e só avançar após o resumo completo. É uma estratégia que deu certo mas que funcionou pois tive mais tempo de preparação com o adiamento da prova. Em um pós edital sem adiamento, teria me custado muito caro deixar de ver alguma parte do edital.
E meu maior acerto foi ter focado em questões. Eu tinha em mente que, se eu fizesse 1 milhão de questões, a questão número 1,000,001 não seria tão difícil.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Victor: O adiamento da prova, em maio, foi uma grande provação para mim. Eu estava há meses acordando de madrugada, dormindo pouco, e ocupando minha cabeça o tempo todo com estudo e trabalho. Quando a prova foi adiada, e não havia perspectiva de quando seria, eu fiquei desesperado. Eu não ia aguentar mais 2 meses daquele ritmo intenso.
O que foi um estresse acabou sendo minha salvação: com o tempo extra de estudo, consegui estudar todo o edital, coisa que não teria sido possível sem esse o adiamento.
Mas admito que não contemplei tanto a opção de desistir. Na minha cabeça, a prova ia acontecer de qualquer jeito, com ou sem adiamento, e teriam 11 aprovados de qualquer jeito. Então que eu fosse um deles.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Victor: O conselho que todo mundo costuma dar é não desistir, perseverar e blablabla. Acho que posso contribuir com algo diferente e igualmente importante. Meus maiores conselhos são:
– Se organizem. Entendam a prova que vocês vão fazer, entendam a banca. O que eu mais conheço de concurseiro são pessoas que, desesperadas para mudar de vida, saem estudando a esmo sem cronograma ou controle do que estão fazendo. A organização, em uma preparação de longo prazo, é imprescindível. Tirem um ou dois dias para se organizar. Tenham em mente o que estão fazendo, determinem o que vale a pena estudar, o que não vale, o que vem primeiro, o que fica por último.
– Tenham disciplina. O ganho está em estudar nos momentos que você não quer estudar. Estudar quando você está com vontade é fácil, todo mundo faz. Agora estou estudando pós almoço, de madrugada, durante o carnaval etc. Aí são poucos que conseguem.
Um abraço a todos! Sigam seus corações e que Deus os abençoe!