
“Talvez meu maior erro foi demorar para entender que eu não sabia estudar. Isso fez com que o processo fosse muito maçante e pouco efetivo no início. A realidade hoje é que não aprendemos a estudar, nem na escola e nem no curso superior. “
Confira nossa entrevista com Bernardo Almeida, aprovado nos concursos da PF e PRF.
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Bernardo Almeida: Me chamo Bernardo, tenho 27 anos, sou formado em direito e nasci em Belo Horizonte/MG.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Bernardo: Sempre foi meu sonho fazer concursos da área policial. Desde pequeno quis ser policial. Ao longo do meu curso de sireito, tive oportunidade de realizar estágio na Superintendência de Polícia Federal em BH, na DELECOR (Delegacia de repressão a corrupção). Nesse estágio, tive certeza de que queria me tornar Policial Federal.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Bernardo: Não, apenas estudava. Foi uma decisão difícil pois fiquei dependendo financeiramente dos meus pais. Porém, ambos me apoiaram muito na decisão e me ajudaram durante todo o processo.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Pretende continuar estudando?
Bernardo: Fui aprovado na PF (255º lugar) e na PRF (excedente para segunda turma, bem próximo do número de vagas da primeira). Acabei sendo reprovado no exame médico da PF (sendo que fui aprovado com os mesmos exames na PRF). Tive que entrar com ação judicial e consegui liminar para continuar no concurso e tomar posse. Havia feito uma cirurgia no pé há 15 anos atrás. A banca cismou com minha cicatriz e me reprovou. Não tenho nenhuma limitação no pé e fui aprovado no CFP.
Futuramente, pretendo fazer o concurso para Delegado Federal. Porém é um plano distante, não vou continuar estudando por enquanto.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Bernardo: Eu normalmente estudava de segundo a sábado. Deixava sexta e sábado a noite livres para encontrar família e amigos. No domingo era dia de simulado. Após fazer o simulado, deixava o dia livre para descansar e fazer outras coisas não relacionadas ao estudo. Como nunca gostei de beber, as saídas na sexta e sábado eram tranquilas e não prejudicavam o estudo. Com a pandemia, acabava encontrando só a namorada e familiares.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Bernardo: Meus familiares, namorada e amigos mais próximos sempre me apoiaram. Mas isso não quer dizer que foi fácil. Você acaba estudando em todo tempo que tem, e reduz o tempo de contato com essas pessoas. Perguntas do tipo “você não está exagerando?”; “você já estudou muito hoje, não está bom?” aconteciam. Nesses casos, tem que manter a calma e lembrar que seus entes queridos não querem ver você passando dificuldades (e vão ter muitas quando estiver estudando). Uma dica que deixo é: mudem o comportamento frente ao estudo. Não se lamuriem quando saírem do seu local de estudo. Mete um sorriso no rosto e conta como foi bom seu dia de estudo, mesmo que esteja super cansado.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Bernardo: Comecei meus estudos em 2018, focando no concurso da PF daquele ano. Acabei ficando por 1 ponto da nota de corte. Foi avassalador. Estava muito decepcionado e chateado. Me dei um mês de descanso para recuperar a moral e voltei a estudar. Continuei estudando até ser aprovado em 2021 na PF e na PRF. A principal forma que encontrava de manter a disciplina era rotina. Eu montava uma rotina certa para mim. Com horário para começar, com intervalos e horário para terminar.
Inicialmente, usava uma meta diária de estudo (ex: 6 horas líquidas por dia), mas percebi que ficava muito decepcionado quando não conseguia cumprir. Passei, então, a adotar uma meta semanal de estudo (ex: 40 horas semanais). Isso fazia que eu pudesse compensar horas ao longo da semana (ex: hoje não consegui fazer as 6 horas, então amanhã eu tentaria estudar 7. Ou caso precisasse de mais tempo, usava os sábados e domingos). Tudo é uma questão de equilíbrio. Dias ruins vão existir.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Bernardo: Sempre fui adepto ao PDF. A maior parte das disciplinas eu conseguia estudar apenas o PDF e já acertar um número bom de questões. Mas sempre aliava o PDF as questões. Usando esse método, conseguia poupar muito tempo.
Também usava o sistema de fichas. Como tive mais tempo para estudar, eu fazia fichas resumindo o conteúdo do PDF e consultava ele de acordo com o sistema de revisão 24x7x30 (revisava nas primeiras 24h, depois em 7 dias e depois em 30 dias). Isso me ajudava a nunca esquecer o conteúdo e manter sempre atualizado.
Mas talvez o mais importante disso tudo seja: mantenha um controle do seu estudo. Eu fazia uso de planilhas onde anotava todo o conteúdo já estudado, qual o grau de conhecimento naquele conteúdo e qual era a necessidade de revisão. Ainda anotava o que executava diariamente (número de horas, quantas questões fazia, qual matéria havia estudado). Isso facilitava o planejamento e encorajava a estudar mais (adorava chegar no final da semana e somar quantas questões eu havia resolvido).
Além disso, utilizava videoaulas para as matérias que tinha dificuldade. No meu caso, vi várias videoulas de TI, português e estatística. Destaca-se que só utilizava videoaulas quando tinha dificuldade na matéria ou questão, isso pois elas demandam bem mais tempo de estudo que o PDF.
Por fim, comprei alguns livros para as disciplinas que precisava aprofundar mais (ex: contabilidade e informática).
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos? Antes de conhecer o Estratégia, você chegou a usar materiais de outros cursos?
Bernardo: Comecei estudando por outro cursinho. Ao longo do tempo, fui percebendo que o material não era completo e deixava vários assuntos de fora. Me pegava fazendo questões e me perguntando: “Eu realmente estudei isso?”.
Em uma promoção do Estratégia, decidi comprar para testar. Não me arrependo nem um pouco (tanto que sou aluno vitalício e fui aluno do coach). Estratégia sempre foi o meu cursinho principal e sempre disponibilizou várias ferramentas que me ajudaram a chegar até a aprovação (a exemplo das Trilhas Estratégicas).
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação?
Bernardo: O maior diferencial do material do Estratégia é a possibilidade de o aluno escolher poder aprofundar no assunto ou não. Os PDFs são muito completos e permitem você aprofundar bastante no assunto, ou apenas aprender ele de forma mais superficial. Isso conta bastante quando tem pouco tempo de estudo. Assuntos mais relevantes para o seu concurso, merecem aprofundamento. Outros assuntos já não precisam.
Ademais, o alinhamento entre a parte teórica e a parte prática (questões e exercícios) no próprio PDF facilitam e muito o aprendizado. A criação de cadernos de questões no sistema de questões também corrobora o aprendizado.
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Bernardo: O mais difícil para você começar a estudar é aprender a estudar. Quebrei muito a cara até achar um método que funcionasse para o meu estudo. E fui pegando várias estratégias que funcionavam para mim. Cheguei a fazer alguns cursos e ler livros sobre métodos de estudo, peguei o que julguei que funcionava, testei vários métodos, descartei alguns, até chegar em algo que funcionou.
No início, fazia o rodízio de poucas disciplinas (as mais importantes do concurso). Aos poucos, fazendo uso das planilhas que mencionei, fui aumentando o número de disciplinas, fazendo o rodízio de acordo com a necessidade.
Outro ponto muito importante foi referente as horas líquidas. No início, comecei fazendo poucas horas líquidas por dia (2 a 3 horas). Aos poucos, fui aumentando essas horas líquidas, chegando a 6 a 8 horas líquidas por dia, sempre mantendo metas semanais para facilitar a compensação de horas.
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Bernardo: Fazia uso do método 24x7x30 (revisava nas primeiras 24h, depois em 7 dias e depois em 30 dias). Após esse período, fazia revisões de acordo com a necessidade e sempre mantendo controle da data da última revisão.
Também fazias resumos em fichas que usava para revisar a disciplina de forma mais rápida. Anotava os principais tópicos e ia adicionando conteúdos que julgasse relevante ao longo do tempo (principalmente quando fazia questões).
Além disso, fazia simulados (fiz muitos). Simulados são essenciais para treinar e ver como você está em determinados assuntos. Porém, mais importante que o simulado era a revisão do simulado. Realizava a correção e anotava os erros mais relevantes para revisar ao longo da semana. Outra dica que deixo é que escolham bem o simulado que vão fazer. Muitos cursinhos e projetos de simulado não tem nenhuma noção na elaboração, fazendo simulados impossíveis ou que são muito fáceis para dar bons resultados a seus alunos.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Bernardo: Nu! Vamos lá. Talvez seja o mais importante ao longo de toda minha trajetória. Aliar teoria e prática é de suma importância. E não tem limite: quanto mais questões você faz, melhor. E lembrava sempre de revisar essas questões. No meu caso, criei um caderno de erros no OneNote e ia adicionando questões lá, junto com um comentário rápido da questão.
Quanto ao número de questões, no ano de 2021 até maio (data das provas da PF e PRF) realizei 24.281 questões. Em 2020, fiz 43.657 questões. Isso só das que eu anotava na planilha, esse número é maior. Anotar esses números sempre me motivou. Algumas vezes colocava metas semanais de resolução e revisão de questões.
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Bernardo: Estatística, TI e português sempre foram pedras no meu sapato. Nessas disciplinas, tive que dedicar mais tempo e esforço, aliando PDF, questões e videoaulas. Além disso, em português e estatística peguei professores particulares que me ajudavam a entender as questões e pontos mais difíceis.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Bernardo: Sou uma pessoa bastante ansiosa e apesar de todos as recomendações de “diminuir o ritmo”, eu mantive o ritmo. Tentei tratar como se fosse uma semana normal. Foquei nos meus pontos fracos e naqueles que eram mais importantes para o concurso. No dia anterior da prova, assisti algumas aulas da revisão de véspera do Estratégia, sendo que a do Zini (estatística) foi essencial para acertar algumas questões – ele passou uma fórmula alternativa que me salvou 2 a 3 questões na prova.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Bernardo: Nunca reneguei a redação. Contratei uma professora particular que corrigia minhas redações e me dava aulas sobre como melhorar. Primeiro dia que cheguei me lembro que falei com ela: “Regina, eu já escrevo bem, sou do direito.” Engano meu. Ganhei nota na redação daquele dia só para voltar na próxima aula. Melhorei muito ao longo do tempo e cheguei a tirar 12,8 (em 13) na prova da PF.
Sempre busquei me informar sobre temas chaves do concurso. Normalmente dava uma pesquisada no tema antes de escrever. Fazia um rascunho rápido e depois já passava a limpo. Gastava na média de 45 minutos por redação no final da minha preparação.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Bernardo: Talvez meu maior erro foi demorar para entender que eu não sabia estudar. Isso fez com que o processo fosse muito maçante e pouco efetivo no início. A realidade hoje é que não aprendemos a estudar, nem na escola e nem no curso superior. Fui perceber isso depois que já estava “estudando” e tive que voltar atrás e aprender a estudar. Existe todo um processo a fazer antes de começar a estudar e aprender isso foi essencial para minha aprovação.
Como acerto, posso citar a persistência que tive ao longo do processo. Muitas vezes me deparei com situações nos estudos e fora dele que me levaram ao fundo do posso. Porém, mesmo nesses momentos difíceis, mantive a fé, a cabeça alta. Mesmo algumas vezes querendo chutar o balde eu fui resiliente e nunca parei por completo. Dava um tempo, respirava e sentava a bunda na cadeira de novo. Hoje sei que valeu a pena.
Mensagem que deixo: se é teu sonho, assim como era para mim, vai, me mete a cara e nunca desista!