Aprovado em 57° lugar no concurso Receita Federal para o cargo de Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil
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“Eu poderia dizer muitas palavras de encorajamento e motivação. Mas o que irei dizer nessa ocasião é: você pode ser muito mais do que é hoje. Crie uma rotina de estudos; comece lentamente […]”
Confira nossa entrevista com Gabriel Vieira Sabino, aprovado em 57° lugar no concurso Receita Federal para o cargo de Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil:
Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam conhecê-lo. Qual a sua formação, idade e cidade natal?
Gabriel Vieira Sabino: Tenho formação em Direito pela Universidade São Francisco, 24 anos de idade e nasci em Jundiaí, uma cidade do interior do estado de São Paulo.
Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?
Gabriel: Essa pergunta é interessante! Desde que eu comecei minha faculdade em Direito, tive diversas oportunidades de estágio na área pública. Comecei meu primeiro estágio na Procuradoria da Fazenda Nacional e depois estagiei no Tribunal de Justiça de São Paulo (fórum de Jundiaí). Foi justamente nesse período que notei uma facilidade para assimilação de conteúdos e o crescente interesse por uma carreira que me desse a oportunidade de contribuir à sociedade e, evidentemente, ser retribuído por isso.
Estratégia: Você trabalhava e estudava? Se sim, como conciliava?
Gabriel: Desde minha colação de grau na Universidade, em junho de 2021, eu estudava em tempo integral, procurando, com o máximo de observação e foco, otimizar meu tempo durante os três períodos do dia, todavia sem exigir demais do corpo e da mente. Em julho do ano passado, havia sido chamado para tomar posse como Escrevente Técnico no TJSP; a partir daquele momento, eu sabia que exigiria muito mais de mim: acordaria às 5 horas da manhã no mínimo 3 dias ao longo da semana para estudar (e 6 horas nos outros dois), e após o trabalho estudaria até as 22 horas. Nos finais de semana, eu dedicava uma boa parte de meu sábado aos estudos e o domingo até a hora do almoço – claro que nenhuma regra é totalmente engessada, por vezes eu fazia mais horas de estudo ou menos.
Estratégia: Em quais concursos já foi aprovado? Em qual cargo e em que colocação? Pretende continuar estudando?
Gabriel: O primeiro concurso que passei foi para o cargo de Escrevente Técnico Judiciário (fiquei em 36º lugar) em 2018 – época que eu, aliás, era estagiário de Direito na Procuradoria. Posteriormente, enquanto estudava para a Receita resolvi fazer um concurso para Assistente de Administração da Prefeitura aqui de minha cidade – fiz uma preparação concomitante por cerca de três meses sem deixar meus estudos para a Receita de lado – e passei em 39º lugar, isso foi no ano passado.
Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos e família?
Gabriel: Sempre foi importante, a meu ver, uma vida social descontraída durante boa parte da preparação, isto é, ter a noção de que eu poderia aproveitar em alguns momentos no final de semana, entretanto era importante visualizar o meu objetivo e compreender a transitória necessidade de abdicar alguns momentos para ter bons resultados. Isso, evidentemente, não anulava minha vida social. Via meus amigos com mais frequência aos domingos ou, quando tinha oportunidade e não estudava, nos sábados à noite. A minha família sempre estava a meu lado e eu procurava, sempre que possível, ter um tempo de qualidade com ela.
Estratégia: Sua família e amigos entenderam e apoiaram sua caminhada como concurseiro? De que forma?
Gabriel: Posso afirmar que uma fração generosa de meus amigos estava na mesma situação que eu – muitos deles estão estudando para concursos ou estão na Universidade, uma outra amiga minha se preparou também para a prova de Analista e teve um ótimo resultado. Em se tratando de rotina de estudos no meu círculo de conhecidos, portanto, eu não estava sozinho. Já minha família sempre estava ao meu lado e dava todo o apoio que eu precisava – sempre acreditaram no meu potencial, e isso é um ótimo aliado para quem está se preparando para uma prova desse nível.
Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao último concurso? O que fez para manter a disciplina?
Gabriel: Eu estudei por quase dois anos. Para manter a disciplina, eu estava sempre em busca de fortalecer a minha vontade com a higiene adequada, uma visão clara de onde eu gostaria de estar, uma preparação do ambiente que favorecesse essa busca, pois acredito nisso: se você puder orientar sua vontade para um objetivo específico, não esmorecer, ser persistente até o final, por mais difícil que seja alcançar o “topo da montanha”, você pode chegar lá. Um bom livro que trata desse assunto e que recomendo aos leitores aqui é “A Educação da Vontade”, de Jules Payot. É um ótimo livro.
Estratégia: Quais materiais e ferramentas você usou em sua preparação?
Gabriel: Durante toda a preparação, eu usava os PDF’s do Estratégia, e realizava um resumo deles nos cadernos que eu separava para cada matéria. Nas matérias que exigiam mais atenção, ou que eu possuía mais dificuldade, eu me valia das videoaulas. Eu sempre preparei um cronograma para os dias da semana, e comumente os blocos de cada matéria possuíam de 1 hora a 1 hora e meia. Buscava, ao término de cada bloco, fazer questões referentes àquela aula que eram selecionadas pelos professores no PDF. A aparente desvantagem de fazer o resumo no caderno é o tempo investido; por outro lado, quando se realiza revisão, você otimiza esse tempo e ganha agilidade para memorizar o que foi estudado.
Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?
Gabriel: Conheci o Estratégia por indicação de amigos, quando ainda me preparava para o concurso de Escrevente Técnico Judiciário (em 2018).
Estratégia: Depois que você se tornou aluno do Estratégia, você sentiu uma diferença relevante na sua preparação? Que diferencial encontrou nos materiais do Estratégia?
Gabriel: Os materiais do Estratégia sempre foram excelentes. Desde os PDFs até as videoaulas. Por abundar uma grande quantidade de aulas em quase todas as disciplinas, preparando-se com dedicação, é raro ver algo na prova que você já não tenha se deparado ao longo da sua preparação. Uma das ferramentas que me ajudou definitivamente foi o simulado, que realizava de vez em quando para avaliar os pontos nos quais eu tinha dificuldade (e dessa forma aumentar os blocos naquela matéria específica) ou os pontos nos quais eu tinha facilidade (e assim reduzir até encontrar o número de horas semanais que era essencial para manter a excelência).
Estratégia: Como montou seu plano de estudos?
Gabriel: O plano de estudos, a meu ver, nunca deveria ser engessado. Por isso, mês a mês, eu procurava fazer ajustes. Normalmente, à época em que não trabalhava, estudava cerca de 8 matérias diferentes por dia (cerca de dez horas líquidas diárias). Quando passei a trabalhar, esse número diminuiu um pouco: estudava cerca de 6 matérias por dia (cerca de 6 horas líquidas diárias).
Estratégia: Como fazia suas revisões?
Gabriel: As revisões eram realizadas basicamente com a leitura dos resumos de cada aula, e exercícios do PDF ao final. Vez ou outra, aos finais de semana, utilizava os simulados para avaliar onde precisava me dedicar com mais afinco.
Estratégia: Qual a importância da resolução de exercícios? Lembra quantas questões fez na sua trajetória?
Gabriel: A resolução de exercícios é essencial na preparação. E eu tinha uma regra bem clara: realizava o máximo que podia, e das bancas mais variadas. Assim eu acreditava que não poderia ser pego de surpresa caso a banca mudasse algum entendimento específico ou forma de elaborar uma questão. Penso que fazer questões apenas da mesma banca dá margem para que sejamos pegos desprevenidos. E não me lembro de quantas questões fiz no total (dá pra dizer que foram muitas rsrs).
Estratégia: Quais as disciplinas você tinha mais dificuldade? Como fez para superar?
Gabriel: Legislação Aduaneira e Fluência em Dados eram os meus maiores obstáculos, em razão da grande quantidade de material para estudar em cada uma; além da dificuldade inerente delas. A minha estratégia era fazer um bom uso das videoaulas e as complementava com a leitura do PDF. No entanto, mesmo após a preparação, sabia que Fluência de Dados era um obstáculo para praticamente todo concurseiro além de mim. Não sabíamos como a FGV iria cobrar aqueles pontos em prova.
Estratégia: Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova e no dia pré-prova?
Gabriel: Na semana que antecedeu a prova, eu procurei apenas estudar os pontos que se apresentavam como os mais difíceis. No dia pré-prova só revi algumas fórmulas matemáticas e reli alguns artigos da Constituição.
Estratégia: No seu concurso, além da prova objetiva, teve a discursiva. Como foi sua preparação para esta importante parte do certame? O que você aconselha?
Gabriel: Não foi muito fácil se preparar para esse ponto, pois sabíamos que poderia cair qualquer tópico das matérias de conhecimento específico. Então, quando eu estudava, sempre que algum tópico dessas matérias me parecesse mais relevante que os outros, eu colocava um asterisco e prestava mais atenção quando o estudava. Veja, era de fato apenas um critério subjetivo. Com o tempo, criamos intimidade com as matérias e percebemos o que pode ser alvo de exigência numa dissertativa ou não. Embora essas dificuldades se apresentassem, eu nunca desperdiçava a oportunidade de escrever e ler o máximo que podia (não só livros relacionados a concurso, mas livros de assuntos variados: de Filosofia e Literatura). Isso o ajuda a colocar suas ideias no papel, cometer menos erros de gramática e ser objetivo.
Estratégia: Quais foram seus principais ERROS e ACERTOS nesta trajetória?
Gabriel: Penso, depois de passado o concurso, que deveria ter otimizado ainda mais o tempo com algumas matérias, e colocado mais tempo em outras; isso, no entanto, é muito difícil de perceber antes da prova (e aí reside uma dificuldade para quem se prepara para concursos). E um dos grandes acertos foi ter realizado resumos e feito muitas questões. Em suma, creio que fiz uma boa preparação.
Estratégia: Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, qual foi sua principal motivação para seguir?
Gabriel: A jornada ao se preparar para a prova é difícil. Alguns dias realmente apresentavam mais obstáculos que outros. No entanto, desistir não se passou pela minha cabeça. Eu sabia que precisava tentar e acreditar em minha capacidade. Minha motivação e esperança era (e é) Deus. Nos momentos mais árduos, além de ter minha família e amigos ao meu lado, eu podia contar com o Criador; isso sempre foi reconfortante e animador pra mim.
Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso? Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!
Gabriel: Eu poderia dizer muitas palavras de encorajamento e motivação. Mas o que irei dizer nessa ocasião é: você pode ser muito mais do que é hoje. Crie uma rotina de estudos; comece lentamente; não há como estudar dez horas por dia se antes você não souber fazê-lo com duas. Não dê ouvidos a quem não quer o seu bem, e aprenda a contar seus planos e objetivos somente para amigos de verdade. Se tiver a bênção de ter seus pais com você (ou alguém que te criou com educação, amor e carinho), ame-os e valorize seu tempo com eles também. Por fim, deixo a indicação de algumas obras que me ajudaram a compreender o funcionamento do cérebro (a fim de otimizá-lo) e outros que possuem orientações gerais na vida de estudos: “A Educação da Vontade” (Jules Payot), livros “Aprendendo Inteligência” e “Inteligência em Concursos” (professor Píer) e “Como Passar em Provas e Concursos” (William Douglas). E para aqueles que estão desanimados e procurando sentido para suas vidas, recomendo fortemente a obra “Em busca de Sentido” (Viktor Frankl).